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Episódio 1- Uma apresentação fugaz.
Porque o espaço e o tempo, se não convenientemente racionalizados, poder-se-ão tornar inimigos figadais, vou proceder a uma inevitável, mas breve, apresentação.
Ora cá estou eu, o José Caria Luís, um fulano nascido em Vale da Pinta, Cartaxo, que, mesmo sem ser feirante, nem artista de circo e, muito menos, missionário, dei por mim a residir em tudo quanto era sítio, de tal modo que, por pouco não perdia a identidade. Vejam lá que, depois de tanta volta, dei comigo a residir no Porto, em definitivo. Mas isso são coisas da vida civil que, agora, não vêm a propósito.
Nesta fase, não vou roubar-vos mais tempo a esmiuçar esta minha apresentação; aliás, vou ser muito sintético. Até porque estou a ultimar a feitura de um segundo Livro, onde, a certa altura, se narra alguma da minha estória militar e respetivos episódios nela contidos. Portanto, esta primeira intervenção, apenas versa a apresentação propriamente dita.
Então foi assim: certo dia, depois de muito meditar, pensei que melhor seria alistar-me, como voluntário, na Força Aérea. Sim, mas em que especialidade? Como prioridade eu definira que, num lugar, assim como... mecânico de material aéreo, era capaz de não estar mal de todo. E, pelo que tinha visto em certa rapaziada da terra, com uma farda daquelas tão garbosa, era capaz de fazer sucesso por onde quer que passasse. Por isso, fui à Andrade Corvo, preenchi os impressos e aguardei pela resposta que, segundo me disseram, seria para breve. E, de facto, essa resposta foi em breve e muito breve, já que a especialidade que eu queria me estava vedada. Não pelos mesmos motivos do Luís Peneirol (deficiente robustez física), mas por deficientes habilitações literárias. Em vez do meu 3º ano Industrial, a F.A. dava prioridade a mancebos com o 5º ano de Liceu ou equivalente para entrar nas Especialidades. Assim, fiquei de fora.
Mas a F.A.P., mesmo sem me ter visto o físico, acenou-me com uma outra chance, que era a de eu continuar a manter o meu cariz de voluntário e, após inspeção, caso fosse aprovado, ingressaria nas fileiras da Polícia Aérea. E eu acedi.
Em novembro de 1963, no Monsanto, fui submetido aos exames que constavam dos cardápios da Aeronáutica Militar e, segundo abalizadas opiniões, estava apto para o serviço. Agora, era aguardar pela chamada para a incorporação, o que veio a acontecer em 15 de janeiro de 1964, na BA3. Tinha acabado de completar 20 anos.
Seguiu-se: uma recruta de janeiro a março; o Curso de Polícia Aérea, entre abril e maio, e a Escola de Cabos, entre junho e julho.
Depois, houve que fazer a escolha de 3 Bases, com as seguintes prioridades: 1) BA2, Ota; 2) BA8, Lourenço Marques e BA9, Luanda. Saiu-me a BA2, na Ota. Para lá fui deslocado em agosto de 1964.
Foi, então, na BA2 que cumpri o restante tempo de serviço militar. Até março de 1965, como soldado PA, e, depois, como 1º cabo PA, até Maio de 1966, altura em que saí da tropa.
De modo muito sintético, aqui está a minha apresentação. Contudo, se tal me for permitido, penso ir enviando alguns daqueles episódios que por lá vivi e já fazem parte do Volume II do livro que estou a escrever.
José Caria Luís
soldado recruta, nº 137/64
soldado PA, nº 75/64
1º Cabo PA, nº 606/64.
O Episódio 2, seguirá em breve.
Nota: Texto escrito conforme novo A.O.